Pontepretano

Opinião: bagunça em campo é reflexo da falta de convicção da Ponte nos bastidores

O futebol apresentado pela Ponte Preta na derrota por 1 a 0 para o Sampaio Corrêa, com apenas um chute a gol em 90 minutos, pode ter assustado muita gente. Mas não chegou a surpreender aqueles que assistem aos jogos do time desde o início do ano. Muito menos quem acompanha os passos da Macaca também nos bastidores.

A Ponte do campo é um reflexo da Ponte fora dele: bagunçada, desorganizada, sem rumo, sem convicção. O clube vai entrar em junho com o terceiro treinador na temporada. Marcelo Chamusca, ex-Ceará e Guarani, é o principal candidato para assumir.

Entre risco de rebaixamento no Paulistão até a última rodada e um início preocupante na Série B do Brasileiro, foram quase seis meses de resultados decepcionantes dentro das quatro linhas e também de decisões questionáveis de uma administração que até agora, assim como o time, ainda não se encontrou.

Ronaldão e José Armando Abdalla: administração ainda não se encontrou em 2018 (Foto: Carlos Velardi/ EPTV) Ronaldão e José Armando Abdalla: administração ainda não se encontrou em 2018 (Foto: Carlos Velardi/ EPTV) </source></source></source></source></source>

Ronaldão e José Armando Abdalla: administração ainda não se encontrou em 2018 (Foto: Carlos Velardi/ EPTV)

A condução da saída de Doriva e da situação de Ronaldão foi mais um sinal da desorganização que tomou conta da Macaca em 2018. O comunicado inicial anunciou o desligamento dos dois profissionais. Pouco tempo depois, o status do ex-zagueiro foi atualizado para “afastado por razões pessoais”.

Não que o trabalho dos dois estivesse imune de questionamentos. Ronaldão já estava há tempos desgastado e não gozava de prestígio interno. Doriva, por sua vez, teve o dérbi como ápice desta segunda passagem, mas não sustentou o embalo na sequência e viu a equipe cair de produção, com duas derrotas seguidas e três partidas sem vencer pela Série B.

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Ainda assim, talvez fosse muito cedo para abrir mão de alguém que foi um dos responsáveis pela montagem do atual elenco e tentou, diantes das opções limitadas que tinha à disposição, dar um padrão para um time ainda em formação.

Como já havia acontecido à época dos desligamentos de Eduardo Baptista e Gustavo Bueno, a diretoria optou pelo caminho mais simples. Nenhuma dessas decisões passou convicção. Pelo contrário. Todas soaram como uma necessidade de dar satisfação à torcida.

Vitória no dérbi não serviu para respaldar o trabalho de Doriva na Ponte (Foto: Marcos Ribolli) Vitória no dérbi não serviu para respaldar o trabalho de Doriva na Ponte (Foto: Marcos Ribolli) </source></source></source></source></source>

Vitória no dérbi não serviu para respaldar o trabalho de Doriva na Ponte (Foto: Marcos Ribolli)

As constantes trocas de comando até poderiam servir como escudo às críticas e cobranças da arquibancada, mas quem contrata e manda embora tem tanta (ou mais) parcela de culpa nas recentes decepções do que quem escala ou joga.

É inegável que o grupo de jogadores é limitado. Mas a limitação na Ponte não se restrige às quatro linhas. Também atinge a cúpula. Uma se mistura a outra, e juntas acabam deixando nebuloso o horizonte alvinegro. É preciso reforçar o elenco e também as ideias que transitam pelos corredores do Majestoso. Antes que a próxima vítima - ontem Eduardo, hoje Doriva - seja a própria instituição.