Pontepretano

História

O surgimento do clube está diretamente ligado ao crescimento da cidade de Campinas. Em 1870, deu-se início à construção da ferrovia paulista, indo de Jundiaí a Campinas.

A instalação dos trilhos requisitava a construção de uma ponte. A ponte era de madeira, e para melhor conservação, tratada com piche. Assim, enegrecida, surgiu a Ponte Preta. A partir daí, a região em torno da ponte virou o Bairro da Ponte Preta, em 1872.

A ponte

A Associação Atlética Ponte Preta surgiu em 1900, graças a vários alunos do colégio Culto à Ciência, que praticavam futebol no bairro da Ponte Preta, sendo portanto o time mais antigo do estado. Hoje, no lugar do primeiro campo localiza-se a Igreja de Santo Antônio.

O atual campo é o estádio Majestoso. Após sua inauguração, a Ponte Preta viveu uma de suas melhores épocas. Conseguiu o acesso sendo vice-campeã da 2ª divisão do Campeonato Paulista de 1951. Cai em 1960, volta em 1969 se sagrando Campeã da Divisão Especial. Vice-campeã Paulista em 1929 de 1970 de 1977 de 1979 de 1981 e 2008 e chegando às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1981 e Copa do Brasil 2001, a Ponte Preta é uma das equipes mais tradicionais do futebol Paulista.

É curiosa também a evolução do uniforme da Ponte. A faixa diagonal só foi adotada em 1944, porém invertida, da direita superior para a esquerda inferior.

Em 1958, a faixa foi invertida para a posição atual.

Durante a Década de 1970, adotou-se uniforme diferente, com calção preto e camisa branca com faixas verticais finas no lado esquerdo, sem a tradicional faixa diagonal. Em 1977, a tradicional faixa diagonal já tinha retornado.

CONSTRUÇÃO DO MAJESTOSO (Livro Sempre PONTE PRETA)

As duas principais entrevistas do grande benemérito Moisés Lucarelli foram estas: uma pelo jornal Diário do Povo, em setembro de 1971, e outra, aos 80 anos, para a Revista do Jubileu da Ponte Preta na gestão, do tenente coronel Rodolpho Pettená.

O jovem Moisés Lucarelli começou muito cedo sua paixão pela Veterana; ainda rapaz seria cobrador das mensalidades dos sócios, geralmente ferroviários da Paulista ou da Mojiana. Grande abnegado, foi um exemplo de dedicação e amor à Associação Atlética Ponte Preta, sem compromisso da vaidade ou da política; enfim, nunca “usou“ o nome Ponte Preta para outros fins senão o fortalecimento da própria instituição.

Nada melhor que transcrevermos na íntegra a entrevista dada por ele à Revista do Jubileu em 1975, para as futuras gerações conhecerem melhor Moisés Lucarelli por ele mesmo. “Moisés Lucarelli sou eu” Está vendo este recorte de jornal? É o que tenho da Ponte. Mas vou te contar a história todinha.

O meu caso na Ponte é o seguinte: é uma história muito comprida… Eu morava perto da Ponte, tinha uns 10 anos e era apaixonado pela Ponte; eu sempre fui Ponte Preta, fiz de tudo, fui cobrador da Ponte no tempo em que a mensalidade era 300 réis e só tínhamos 38 sócios. Teve tempo que os jogadores que eu pegava em São Paulo ficavam morando em minha casa, porque a Ponte não tinha recursos. Mas eu nunca fui presidente da Ponte, sabe?

Você veja onde está minha vaidade: eu tive audácia, muita audácia para construir o estádio. E veja quem eu sou. Minha loja ficava no centro de Campinas, eu tinha uma loja em São Paulo e tinha uma fábrica de fogões elétricos. Com a II Guerra Mundial ganhei muito dinheiro com a loja de São Paulo. Mas era isso: eles chegavam aqui e diziam: – Senhor Moisés, o senhor vai ser o presidente. Mas eu nunca aceitei. Mas eu meti, sempre me meti, e botei o José Cantúsio como presidente. Eu assinava os títulos da Ponte, eu legalizava os conselheiros da Ponte Preta, eu pus todo pessoal do Conselho. Naquele tempo era amador ainda. Fomos jogar em Limeira, começou tudo aí. Então eu vi o campo de capim barba-de-bode. E nós tínhamos um bom time. Mas, aí eu estava falando mal do campo para o Cantúsio – ainda por cima estava todo molhado – e chegou um deles e disse: – Você tá reclamando, mas você não tem nem isso, disse na mina cara, se vocês tivessem pelos menos um campinho barba-debode.

Passou. Fui jogar no Guarani, naquele tempo o Guarani era de morte. Eu vi que o campo lá estava com a grama muito alta no dia do jogo Ponte Preta e Guarani, eu falei: – Puxa vida, pelos menos deviam cortar um pouco essa grama. E um jogador deles me disse: – Se vocês estão achando ruim, por que não arranja um campo que nem esse? Eu levava tudo na cara.

Porque a Ponte Preta éramos eu e o Cantúsio. Isto não é vaidade. Jogamos no Brasil inteiro e vou te contar uma coisa. Eu disse para o Cantúsio: – Zé, temos que fazer um estádio. Não dá mais para agüentar essas coisas jogadas na cara assim desse jeito. Qualquer um me joga isso que não temos nada na cara. Então vamos comprar um terreno, eu disse para ele. Só que aquilo lá era um buraco, lá onde está o estádio. Eu aterrei 8 metros, porque o terreno era torto.

A história é gostosa, né? Muito gostosa. Agora já não faço, estou com 80 anos. Tudo isso foi em 1940, eu cheguei e disse: – Precisamos fazer um campo para treinar, sabe? Aí eu fui lá e comprei o terreno. Por 50 contos. Depois pagamos mais 70 contos para completar o estádio. Eu dei 15 contos na época para comprar o terreno. Olha, eu não sou de ficar zangado com você, mas aí um dia fui intimado a prestar contas pra Ponte Preta, me jogaram na cara, não fui, é claro, me zanguei. Sabe, eu sou pelo homem, não sou pelo dinheiro, meu filho. Mas vamos à história. Então eu disse: – Vamos comprar, eu dou 15 contos, o Cantúsio era mais rico e eu disse para ele dar 20.

O Olímpio não tinha 15, mas eu dei os dele e ele ia me pagando 500 mil réis por mês. Eu dei 15, o Cantúsio 20 e o Olímpio 15. E olha, naquele tempo, 50 contos era muito dinheiro, muito dinheiro. Mas eu estava muito bem. Minha loja aqui em Campinas era a maior loja do interior, minha fábrica de fogões estava bem, minha loja em São Paulo em 1941 me deu algum dinheiro. Mas aí eu cheguei e disse: – Vamos passar o terreno para a Ponte Preta.

Fizemos a doação, fizemos a escritura, passamos tudo para a Ponte Preta. Fui conversar com um engenheiro, o Badaró, para se fazer uma planta para mandar para Prefeitura aprovar, mas aí discutimos muito. Ele acabou me convencendo a comprar mais um terreno, para o lado do morro, para ficar mais livre, para o campo não ficar encostado naquelas casas que tinham no alto do terreno, você vê que não tem nada atrás, o estádio ficou isolado, e nesse novo terreno gastamos mais 70 contos, tudo acabou por 120 contos, sabe lá o que era isso naquele tempo? Mas aí ficamos precisando de uma máquina de terraplanagem. Naquele tempo não tinha isso, não era como hoje. Então eu, como presidente da Comissão do Estádio, fui falar com o Fernando Costa, interventor do Governo Federal para o estado de São Paulo. E era o PTB que mandava.

Cheguei para ele e perguntei como é que eu arranjava uma máquina daquelas. E me arrumavam uma máquina para daí a 30 dias. Mas a terraplanagem levou dois anos, dois anos, que loucura. Tinha que aterrar tudo, e tirava terra do lado de lá a dinamite. Dinamite, que loucura, já viu isso? Tirar terra a dinamite? Tinha terra de lá e de cá, tinha que aterrar senão eu ficava sem campo para abrir. Mas a máquina só podia ficar 30 dias, e lá eu ia para São Paulo de 30 em 30 dias pedir para o Governo mais 30 dias. Eu larguei tudo, meus negócios, tudo, para fazer o estádio. Para chegar no fim e acontecer aquilo. Eu tinha uma comissão do estádio. Comissão, você sabe como é? Quer aparecer no jornal, dar entrevista na rádio. Eu nunca fui disso, tenho um temperamento forte, eu xingo, eu falo o que é. Então eu falava para Comissão pró- Estádio, tinha cinco ou seis, o que eu queria, como ia ser. Quando passaram os dois anos de terraplanagem, eu fui ao Banco Noroeste.

Fui pedir 400 contos para começar a obra. Em 1942 era muito, muito dinheiro. Foi aí que eu inventei vender cadeira vitalícia, fui eu que inventei, vendia a 100 mil réis para chegar aos mil contos. Mil contos, era uma enorme fortuna na época. Resolvi chegar para comissão e dar duro neles, ninguém se mexia, aquilo estava me enchendo, e saí com listas por aí. Dá 20 mil réis que vou construir o estádio. Quando arrumei o dinheiro no Banco, cheguei e disse: – Tá aqui o título bancário, eu aceitei o título como presidente da comissão. Sabe o que quer dizer endossado? Pois é, tá aqui 90 mil. Eu devo. E você, fulano? E só vinha desculpa. Eles me diziam: é Moisés, eu tenho sócio na firma, outro dizia: sou empregado e minha firma não permite que eu endosse empréstimos, e finalmente outros diziam: minha mulher não quer, você sabe, Moisés. É isso, então vai tudo a m….

Arrumei inimigos dentro da Ponte, mas limpei tudo e continuamos com outros, e acabamos fazendo o estádio. Lá no Guarani não tenho inimigos, sou muito homenageado lá, fico até envergonhado, nunca fui nada do Guarani. Mas naquele tempo teve um diretor do Guarani que se virou para mim e disse: – Moisés, quando nascer pêlo na minha mão você vai terminar o estádio. E terminamos. Ele não acreditava, lá no estádio não tem nenhum metro de madeira, é tudo cimento armado. Mas fiquei cego naquela obra. Eu fiquei que era só Ponte Preta, fechei minhas lojas, fechei minha fábrica. Eu vivia na obra, chegava às sete no meu Oldsmobille.

Quanto vocês querem, eu perguntava para os fornecedores, 200 contos? Marca aí, faço qua- tro duplicatas, eles pegavam as duplicatas e descontavam nos Bancos. Eu dizia para minha mulher: olha eu morrendo. Eu vendia meus bens para pagar as dívidas da Ponte Preta.“ O depoimento é muito forte; algumas cicatrizes, mesmo em 1975, depois de muito tempo da construção do estádio, parecem difíceis de desaparecer. Todo clube popular, principalmente um clube com profundas raízes na memória coletiva da cidade de Campinas, gera vaidade, que, sem dúvida, é a pior inimiga do trabalho em uma instituição. Mas gostaria de deixar aqui algumas palavras que, garanto, são da própria torcida alvinegra: MAJESTOSO MOISÉS, OBRIGADO, LUCARELLI.

A construção do estádio, as doações, as datas importantes, as comissões, os beneméritos, todas estas informações estão no segundo volume da História da Associação Atlética Ponte Preta, do amigo Sérgio Rossi. Nossa intenção é justamente escrever sobre três momentos importantes da construção do Majestoso que poucos conhecem ou muitos esqueceram. Iremos nos ater primeiro a como a imprensa da capital paulista e do Brasil acompanhou a epopéia da construção do Majestoso, na época um empreendimento grandioso, na verdade uma gigantesca construção. Podemos dividir a imprensa da capital paulista em duas, uma meio desconfiada do empreendimento, achando que não existiria prazo para o final das obras, e, do outro lado, o jornal A Gazeta, que, como mantinha um correspondente na cidade, o jornalista Ferdinando Panattonni, possuía informações mais concretas sobre as obras.

Jornal Campinas esportiva

Primeiro gramado do Majestoso

Lançamento na grande imprensa paulistana da construção do Majestoso Colocação da primeira nesga de grama do Majestoso Em São Paulo, o estádio logo recebeu o apelido de Pacaembu do interior – vale lembrar que o estádio da Ponte Preta seria o maior estádio particular do estado de São Paulo.

Já a imprensa da capital federal foi muito feliz na cobertura da construção – em 1944 aparecem as primeiras matérias, com o empreendimento dos ponte-pretanos retratado com muito realismo. Para os cariocas, a Associação Atlética Ponte Preta seria um exemplo para o esporte nacional. Encontramos na pesquisa em jornais do Rio de Janeiro sempre a mesma tendência de admiração, respeito e confiança no trabalho da nação ponte- pretana, e, como a imprensa da capital federal era base para outros jornais pelo país, a construção do estádio foi matéria de norte a sul do Brasil.

Um outro momento importante na arrecadação de fundos para as obras do Majestoso foram, sem dúvida, os dias 21, 22 e 23 de julho de 1944. Naqueles dias a Ponte Preta realizaria um incrível momento cultural no Teatro Municipal de Campinas, 11 aproveitando-se da Lei Municipal no 512, que cedia o teatro para se realizarem festivais beneficentes.

A Veterana campineira, em 26 de junho de 1944, protocolou junto da Prefeitura Municipal de Campinas um pedido de cessão do Teatro Municipal. Pedido aceito pela Diretoria de Expediente, a Ponte Preta organiza e divulga suas festividades culturais.

Ofício para o Theatro

Ofício sobre utilização do Teatro Municipal pela Ponte Preta O presidente da Ponte Preta, então o dr. Francisco Ursaia, organiza o programa para os dias 21, 22 e 23 de julho de 1944, que seria o seguinte: apresentação em três após das pe- ças Jangadeiro, texto original de Raymundo de Menezes, e Amigo Tobias, original de João Luzo.

Elenco de Jangadeiros: Baraúna Paulo Salles Iraússa Oswaldo Canechio (Badú) Rocinha Zerita Vaz Raymundo João Vaz Das Dores Aparecida Fortes Benta América Fortes Elenco de Amigo Tobias: Tobias Paulo Salles Maméde João Vaz Adelaide América Martins Ciprianno Antônio Jarui Maria Branca Monteiro Clara Zerita Vaz João Olavo Bilac As duas peças teatrais foram montadas com muito luxo e apurada cenografia.

Durante os intervalos, as músicas estiveram a cargo de uma orquestra sob regência do maestro Salvador Bove. A Ponte Preta contratou a companhia de teatro Escola Paulo Salles e também estabeleceu convênio com o Serviço Nacional de Teatro do Ministério da Educação. A iniciativa cultural da Associação Atlética Ponte Preta acabou por merecer elogios do presidente Getúlio Vargas em nota quando da assinatura do convênio entre Ponte Preta e Ministério da Educação.

O programa continua, agora com música. Vejamos o que a Ponte Preta escolheu: abertura da ópera Loshiavo, de Carlos Gomes, Marcha nupcial, de Wagner, e a canção A casa brasileira onde nasci, de Lima Pesce. Foram três dias magníficos para a Ponte Preta. Nestes mais de cem anos de futebol no país, poucas vezes vimos iniciativas como esta. A Veterana sempre inovou, nunca gostou da regularidade maçante; ela precisa respirar, inovar, fazer crescer, entrar em contato com sua gente, desde o mais humilde até aquele erudito.

Essa facilidade de se aproximar de todas as classes sociais fez da Ponte Preta um clube único no interior do Brasil. Julho de 1944 ficará marcado como o mês em que a Ponte Preta, em prol da construção de seu estádio, fez do Teatro Municipal de Campinas, de saudosa memória para muitos, seu campo, seu palco. Da cultura nasceu uma epopéia, a construção do Majestoso; teatro, ópera, música erudita e música brasileira, parece até que o programa foi escolhido para espelhar nossa torcida, com diversidade e, ao mesmo tempo, unicidade. Bravo, Veterana! Na verdade, a ligação entre a Ponte Preta e o teatro faz parte da história da associação – em várias oportunidades o salão nobre do Majestoso foi palco de inúmeras peças. O terceiro e último momento que vamos descrever é, sem dúvida, o mais sublime.

O trabalho gera riqueza, e o trabalho de milhares de mãos ponte-pretanas gerou um templo, palco majestoso. Foram milhares de Josés, Joãos, Moisés, Franciscos, Paulos, Pedros, brasileiros, campineiros, estrangeiros, pontepretanos. Essa paixão nos remete a nossa mística a – torcida tem um time e, pelo time, assina um pacto silencioso e não escrito, que é uniforme na consciência e na memória coletiva da nação ponte-pretana. “Podemos ser diferentes, mas somos todos um”, pensamos sempre com o coração; emoção, fidelidade e fibra fazem parte de nossa mística. Que todo jogador que enverga nosso símbolo maior sobre o coração e pisa no gramado sagrado construído pelo nosso povo nunca se esqueça de nossa mística: “coração, fidelidade e fibra”.

Estes são nossos alimentos, nosso deleite é provar o gosto doce da vitória, é bater com força em nosso coração; a construção do Estádio Moisés Lucarelli faz parte de nossa mística, sempre Ponte Preta.

Informações(extraída do site oficial www.pontepretaesportes.com.br)

Capacidade: 19.722 torcedores

Área: 36.000 metros quadrados

Endereço: Pça. Dr. Francisco Ursaia, 1900 Jd Proença - CEP:13026-350

Dimensões do Campo:107m x 70m

Maior Público: 33.500 pessoas (Ponte Preta x Santos - 16/08/1970)

Maior goleada: Ponte Preta 8 x 1 Ferroviária (16.04.1994)

Data de inauguração: 12/09/1948 Telefone/Fax:(19) 21017201

DEMOCRACIAL RACIAL

Segue abaixo o texto do documento enviado a FIFA solicitando reconhecimento da PONTE PRETA como o primeiro time de futebol a aceitar jogadores negros.

Associação Atlética Ponte Preta : Primeira Democracia Racial em um Time de Futebol no Mundo Historiador José Moraes dos Santos Neto Diretor Associação Atlética Ponte Preta O futebol é uma das expressões culturais mais intensas do planeta , possuí um caráter lúdico e dinâmico. Foi introduzido no Brasil durante final do século XIX e tornou-se rapidamente a maior expressão cultural do país. Estamos assistindo, um perigoso aumento nos casos de racismo dentro do futebol, como pesquisador da história do futebol acompanho intensamente todo esforço e movimentação da Fifa para eliminar o racismo dentro do esporte mais popular do planeta.

Sou Bacharel em História pela Universidade Estadual de Campinas e professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas , tenho mais de vinte anos de ininterruptas pesquisas sobre o futebol e possuo um dos maiores arquivos particulares sobre a história do futebol brasileiro, sul-americano e mundial. A Conferência contra o racismo , realizada pela Fifa no ano 2001 em Buenos Aires, aprovou importantes resoluções como : a origem do racismo esta na sociedade e não no futebol, para eliminação do racismo dentro do esporte é preciso total colaboração de dirigentes, torcedores, jogadores e estudiosos ,o planejamento a longo prazo é determinante para o êxito da luta contra o racismo, a ignorância somada a falta de conhecimento sobre a história do futebol alimentam o racismo.

O passado é uma raiz forte que precisa ser sempre cuidada para que a vida tenha energia e força, portanto, para que as resoluções aprovadas em 2001 surtam um efeito duradouro devemos sempre divulgar com muita intensidade informações e experiências contra o racismo dentro da história do futebol, pois o futebol atinge nações de todos os continentes.

Para o Presidente da Fifa Senhor Joseph Sepp Blatter não basta apenas lutar contra o racismo, devemos executar ações de cunho educativo e informativo, visando uma inserção positiva e duradoura na sociedade. O espirito da Conferência de Buenos Aires foi perpetuado através de uma resolução da Fifa reconhecendo o dia 7 de Julho, como o dia da luta contra o racismo no futebol mundial. Tendo em vista cooperar com a Fifa e também resgatar para a memória do futebol mundial um de seus mais significativos momentos, estamos enviando este Dossiê sobre a primeira democracia racial em um time de futebol no mundo, a história da fundação da Associação Atlética Ponte Preta de Campinas, traduz um sentimento muito esperado pela família do futebol neste momento, unir etnias diferentes em torno da magia do futebol, o esporte mais popular do planeta. A Associação Atlética Ponte Preta foi fundada em 11 de Agosto de 1900, no último ano do século XIX, naquele momento o mundo assistia a divulgação de inúmeras Teorias Raciais que divulgavam a idéia de superioridade branca.

O futebol foi introduzido oficialmente no Brasil em 1894 na cidade de São Paulo e em 1899 o escocês naturalizado brasileiro Thomaz Scott introduz o futebol em Campinas, distante cerca de 100 Km de São Paulo. A cidade de Campinas entre os anos de 1850 até 1930 recebeu mais de trinta mil imigrantes europeus. Em 1900 a cidade possuía uma população composta de alemães, austríacos, suíços, espanhóis, portugueses, e brasileiros ( brancos, negros e mulatos).

O alemão Theodor Kutter residia na cidade de Campinas desde 1898 e fixou residência no Bairro da Ponte Preta, uma região da cidade em que brasileiros e imigrantes se misturavam , Theodor Kutter era um adepto de esportes ao ar livre e defendia que a prática esportiva formava jovens sadios e com muita responsabilidade. Em 1899 ele conheceu o engenheiro ferroviário Thomaz Scott que também fixou residência no Bairro da Ponte Preta em Campinas , Scott trouxe da Escócia bolas de futebol e iniciou a divulgação do esporte entre os meninos e jovens que residiam no Bairro da Ponte Preta.

O futebol rapidamente tornou-se o esporte preferido dos meninos e rapazes do bairro , que conseguiram o apoio das famílias e iniciaram a construção de um campo de terra em uma Chácara pertencente ao Capitão João Vieira da Silva , pai de três meninos e um rapaz que praticavam o futebol. Era um momento importante para o alemão Theodor Kutter, o esporte conseguiu unir os meninos e rapazes do bairro em torno de um objetivo comum , praticar e divulgar o futebol.

Os meninos e rapazes jogadores de futebol eram brancos, negros e mulatos. Entre os jovens tínhamos quatro negros e dois mulatos, mas um deles se tornou jogador do primeiro time da Ponte Preta após sua fundação em 1900, seu nome era Miguel do Carmo. Em 1900 esses rapazes resolveram fundar um time de futebol, para tanto contaram com o apoio do alemão Theodor Kutter, do austríaco Nicolau Burghi, do brasileiro descendente de alemães Hermenegildo Wadt e do brasileiro Capitão João Vieira da Silva , o objetivo era fundar uma associação sem preconceito de raça ou religião para praticar o futebol . Em 11 de agosto do ano de 1900 é fundada a Associação Atlética Ponte Preta , seu primeiro time era formado por brancos , negros e mulatos.

A associação nasceu com o objetivo de formar cidadãos saudáveis e responsáveis , congregando jovens de todas as raças em função da prática do futebol. Em 2006, prestes a completar 106 anos de atividade ininterrupta, a Associação Atlética Ponte Preta simboliza a própria história do futebol brasileiro. Posto isto, a Associação Atlética Ponte Preta vem sugerir junto a FIFA o reconhecimento e a divulgação que ela é a Primeira Democracia Racial em um Time Futebol no Mundo.

Isto posto , cabe reconhecer a importância fundamental do Clube de Regatas Vasco da Gama para a afirmação do negro no futebol brasileiro, em 1923 desafiando preconceitos e ódios raciais o clube foi Campeão Carioca , o titulo ganho no Rio de Janeiro, capital do Brasil, foi um marco na história dos negros no futebol brasileiro, alcançando na época enorme repercussão nacional e internacional, mas a Associação Atlética Ponte Preta foi a primeira democracia racial em um time de futebol no Brasil e no Mundo.

A Associação Atlética Ponte Preta é o clube de futebol sem interrupção mais antigo do Brasil, são 106 anos de atividade futebolística, além de ser um dos clubes mais tradicionais do país pentacampeão do futebol mundial, a Ponte Preta possui a maior torcida do interior do Brasil.

O clube disputa a primeira série do Campeonato Brasileiro de Futebol e desde a Copa do Mundo de 1934 cede jogadores para a seleção brasileira de futebol, seus atletas com mais participação na seleção brasileira de futebol foram o goleiros Carlos com 69 jogos e três Copas do Mundo ( 1978, 1982 e 1986) e o zagueiro Oscar com 67 jogos e duas Copas do Mundo ( 1978 e 1982) como titular absoluto da seleção brasileira de futebol . No ano de 1974 , Pelé, o maior jogador de futebol da história do futebol mundial, despediu-se do futebol em um jogo contra a Ponte Preta , o atleta do século e o símbolo do futebol mundial escolheu o clube mais antigo e a primeira democracia racial em um clube de futebol para despedir-se dos gramados brasileiros.

A Ponte Preta possui considerável patrimônio , em especial o Estádio Moisés Lucarelli, dois clubes poliesportivos e um Centro de Treinamento para o Departamento de Futebol. O clube localiza-se na cidade de Campinas, poló de uma região metropolitana com uma população de 2,5 milhões de habitantes, a cidade concentra importantes empresas de alta tecnologia e inúmeras universidades.

A Associação Atlética Ponte Preta tem orgulho em nascer em 1900 como uma Democracia Racial, é este exemplo que desejamos divulgar através da Fifa para a família do futebol.

Time da MACACA entre 1908 e 1914

Miguel do Carmo (foto abaixo retirada da Carteira Funcional da Companhia Paulista ), nascido em 10 de abril de 1885, funcionário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro entre 1898 até 1925, registro 6.551, aposentado como guarda de trem , terceira classe.

Carteira Funcional da Companhia Paulista de Miguel do Carmo

Foi jogador do primeiro time da Associação Atlética Ponte Preta em 1900. Primeiro Time da Ponte Preta : Lima, Silvio, Oliveira, Aranha, Rodolpho Hartmann, Carlos Vieira, Fogaça, Ricardo Hartmann e Miguel. Segundo Time da Ponte Preta : Young, Dicto, Osvaldinho, Augusto Vieira, J.Scott, Burghi, A.Scott, Tonico, Walter, Largon, Tilimann.

O primeiro time da Ponte Preta congregava jogadores que residiam no Bairro da Ponte Preta , região marcada pela presença de operários, ferroviários, mascates e imigrantes. Os jogadores formavam uma autêntica “ democracia racial “ , era imigrantes alemães, austríacos, portugueses , ferroviários brancos, mulatos e negros.

O patrono destes jovens era o alemão Theodor Kutter adepto do movimento anarquista na Europa, que trouxe para o Bairro da Ponte Preta a idéia de congregar jovens através do esporte. Junto com Kutter, o escocês Thomas Scott , o Capitão João Vieira da Silva e Nicolau Burghi foram os patronos dos meninos e jovens futebolistas do bairro da Ponte Preta em 1900.

Carta da FIFA

HINO

Estamos em 1969 e durante a gestão do presidente Sérgio José Abdalla levantamos o titulo de campeões da primeira divisão de São Paulo e ganhamos o direito de disputar em 1970 a divisão especial do futebol paulista, o elenco era oriundo das categorias de base do clube, a média de idade era de 22 anos e dos 25 atletas, apenas três não foram formados no clube.

Em 1970 o time retornou a divisão especial e tornou-se uma sensação em todo estado, tornando-se campeão do primeiro turno, foram anos de grande recuperação do prestigio futebolístico e para comemorar o sucesso em 1971 temos a organização pela diretoria da Ponte Preta de um grande concurso para a escolha de um hino oficial.

Foram fixados diversos cartazes, como o abaixo, pela cidade, as inscrições foram realizadas no Departamento de Imprensa do clube no estádio Moisés Lucarelli.

Cartaz

No dia 3 de setembro de 1971 no Teatro Castro Mendes foi realizado o grande concurso, a apresentação ficou a cargo da jornalista Bety Rodrigues, foram sete músicas finalistas, a que mais agradou a platéia que lotava o teatro foi a música “ Avante Ponte Preta“, de autoria da Professora Maria Aparecida Mota Aguiar e interpretada pelo cantor José Américo, enfim, a música foi escolhida como hino oficial.

Hino Oficial Velho Autora: Maria Aparecida Motta de Aguiar

Avante, Ponte Preta, avante! Avante, que a bola é nossa! Avante, Ponte Preta, avante; Que nós queremos a vitória! O jogador pontepretano; é forte, brioso e valente. Reflete no seu porte altaneiro; A fibra do bom campineiro! O teu passado foi de glória! Teu nome está na nossa história! Avante, Ponte Preta! Avante, Ponte Preta! Que nós queremos mais uma vitória!

Logo após vencer o concurso , surge uma grande polêmica envolvendo a letra da música, levantou-se a possibilidade que boa parte da letra era uma cópia de uma música de Nélson Gonçalves, a polêmica ganhou enorme repercussão quando o cantor Jair Rodrigues recusou-se a gravar a música após as denúncias de plágio.

O hino envolvido em fortes e intensas polêmicas acabou não tornando-se popular e aos poucos uma música composta pelo compositor e jornalista Renato Silva foi tornando-se popular, a música “ Raça de Campeã” foi composta para a Torcida Jovem da macaca e em 1977 acabou conquistando o gosto da massa pontepretana e em 1979 tornou-se o hino oficial do clube.

Hino Oficial Atual Autor: Renato Silva Estandarte desfraldado preto e branco é sua cor Ponte Preta vai pro campo prá mostrar o seu valor Ponte Preta inflamante Ponte Preta emoção Ponte Preta gigante raça de campeão Seu estádio é o Majestoso seu nome uma glória Ponte Preta sempre sempre na derrota ou na vitória És amada Ponte Preta Orgulho de nossa terra Ponte Preta de paz Ponte Preta de guerra Ponte Preta de paz Ponte Preta de guerra.