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ORIGEM
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O surgimento do clube está diretamente ligado ao crescimento da cidade
de Campinas. Em 1870, deu-se início à construção da ferrovia paulista, indo de
Jundiaí a Campinas.
A instalação dos trilhos requisitava a construção de uma
ponte. A ponte era de madeira, e para melhor conservação, tratada com piche.
Assim, enegrecida, surgiu a Ponte Preta. A partir daí, a região em torno da
ponte virou o Bairro da Ponte Preta, em 1872.
Ponte que deu origem ao bairro e ao time atualmente
A Associação Atlética Ponte Preta
surgiu em 1900, graças a vários alunos do colégio Culto à Ciência, que
praticavam futebol no bairro da Ponte Preta, sendo portanto o time mais antigo
do estado. Hoje, no lugar do primeiro campo localiza-se a Igreja de Santo
Antônio.
O atual campo é o estádio Majestoso. Após sua inauguração, a Ponte
Preta viveu uma de suas melhores épocas. Conseguiu o acesso sendo vice-campeã da
2ª divisão do Campeonato Paulista de 1951. Cai em 1960, volta em 1969 se
sagrando Campeã da Divisão Especial. Vice-campeã Paulista em 1929 de 1970 de
1977 de 1979 de 1981 e 2008 e chegando às semifinais do Campeonato Brasileiro de
1981 e Copa do Brasil 2001, a Ponte Preta é uma das equipes mais tradicionais do
futebol Paulista.
É curiosa também a evolução do uniforme da Ponte. A faixa
diagonal só foi adotada em 1944, porém invertida, da direita superior para a
esquerda inferior.
Em 1958, a faixa foi invertida para a posição atual.
Durante
a Década de 1970, adotou-se uniforme diferente, com calção preto e camisa branca
com faixas verticais finas no lado esquerdo, sem a tradicional faixa diagonal.
Em 1977, a tradicional faixa diagonal já tinha retornado.
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CONSTRUÇÃO DO MAJESTOSO
(Livro Sempre PONTE PRETA) |
As duas principais entrevistas do grande benemérito Moisés Lucarelli foram
estas: uma pelo jornal Diário do Povo, em setembro de 1971, e outra, aos 80
anos, para a Revista do Jubileu da Ponte Preta na gestão, do tenente coronel
Rodolpho Pettená.
O jovem Moisés Lucarelli começou muito cedo sua paixão pela Veterana; ainda
rapaz seria cobrador das mensalidades dos sócios, geralmente ferroviários da
Paulista ou da Mojiana. Grande abnegado, foi um exemplo de dedicação e amor à
Associação Atlética Ponte Preta, sem compromisso da vaidade ou da política;
enfim, nunca “usou“ o nome Ponte Preta para outros fins senão o fortalecimento
da própria instituição.
Nada melhor que transcrevermos na íntegra a entrevista dada por ele à Revista do
Jubileu em 1975, para as futuras gerações conhecerem melhor Moisés Lucarelli por
ele mesmo. “Moisés Lucarelli sou eu” Está vendo este recorte de jornal? É o que
tenho da Ponte. Mas vou te contar a história todinha.
O meu caso na Ponte é o seguinte: é uma história muito comprida... Eu morava
perto da Ponte, tinha uns 10 anos e era apaixonado pela Ponte; eu sempre fui
Ponte Preta, fiz de tudo, fui cobrador da Ponte no tempo em que a mensalidade
era 300 réis e só tínhamos 38 sócios. Teve tempo que os jogadores que eu pegava
em São Paulo ficavam morando em minha casa, porque a Ponte não tinha recursos.
Mas eu nunca fui presidente da Ponte, sabe?
Você veja onde está minha vaidade: eu tive audácia, muita audácia para construir
o estádio. E veja quem eu sou. Minha loja ficava no centro de Campinas, eu tinha
uma loja em São Paulo e tinha uma fábrica de fogões elétricos. Com a II Guerra
Mundial ganhei muito dinheiro com a loja de São Paulo. Mas era isso: eles
chegavam aqui e diziam: – Senhor Moisés, o senhor vai ser o presidente. Mas eu
nunca aceitei. Mas eu meti, sempre me meti, e botei o José Cantúsio como
presidente. Eu assinava os títulos da Ponte, eu legalizava os conselheiros da
Ponte Preta, eu pus todo pessoal do Conselho. Naquele tempo era amador ainda.
Fomos jogar em Limeira, começou tudo aí. Então eu vi o campo de capim
barba-de-bode. E nós tínhamos um bom time. Mas, aí eu estava falando mal do
campo para o Cantúsio – ainda por cima estava todo molhado – e chegou um deles e
disse: – Você tá reclamando, mas você não tem nem isso, disse na mina cara, se
vocês tivessem pelos menos um campinho barba-debode.
Passou. Fui jogar no Guarani, naquele tempo o Guarani era de morte. Eu vi que o
campo lá estava com a grama muito alta no dia do jogo Ponte Preta e Guarani, eu
falei: – Puxa vida, pelos menos deviam cortar um pouco essa grama. E um jogador
deles me disse: – Se vocês estão achando ruim, por que não arranja um campo que
nem esse? Eu levava tudo na cara.
Porque a Ponte Preta éramos eu e o Cantúsio. Isto não é vaidade. Jogamos no
Brasil inteiro e vou te contar uma coisa. Eu disse para o Cantúsio: – Zé, temos
que fazer um estádio. Não dá mais para agüentar essas coisas jogadas na cara
assim desse jeito. Qualquer um me joga isso que não temos nada na cara. Então
vamos comprar um terreno, eu disse para ele. Só que aquilo lá era um buraco, lá
onde está o estádio. Eu aterrei 8 metros, porque o terreno era torto.
A história é gostosa, né? Muito gostosa. Agora já não faço, estou com 80 anos.
Tudo isso foi em 1940, eu cheguei e disse: – Precisamos fazer um campo para
treinar, sabe? Aí eu fui lá e comprei o terreno. Por 50 contos. Depois pagamos
mais 70 contos para completar o estádio. Eu dei 15 contos na época para comprar
o terreno. Olha, eu não sou de ficar zangado com você, mas aí um dia fui
intimado a prestar contas pra Ponte Preta, me jogaram na cara, não fui, é claro,
me zanguei. Sabe, eu sou pelo homem, não sou pelo dinheiro, meu filho. Mas vamos
à história. Então eu disse: – Vamos comprar, eu dou 15 contos, o Cantúsio era
mais rico e eu disse para ele dar 20.
O Olímpio não tinha 15, mas eu dei os dele e ele ia me pagando 500 mil réis por
mês. Eu dei 15, o Cantúsio 20 e o Olímpio 15. E olha, naquele tempo, 50 contos
era muito dinheiro, muito dinheiro. Mas eu estava muito bem. Minha loja aqui em
Campinas era a maior loja do interior, minha fábrica de fogões estava bem, minha
loja em São Paulo em 1941 me deu algum dinheiro. Mas aí eu cheguei e disse: –
Vamos passar o terreno para a Ponte Preta.
Fizemos a doação, fizemos a escritura, passamos tudo para a Ponte Preta. Fui
conversar com um engenheiro, o Badaró, para se fazer uma planta para mandar para
Prefeitura aprovar, mas aí discutimos muito. Ele acabou me convencendo a comprar
mais um terreno, para o lado do morro, para ficar mais livre, para o campo não
ficar encostado naquelas casas que tinham no alto do terreno, você vê que não
tem nada atrás, o estádio ficou isolado, e nesse novo terreno gastamos mais 70
contos, tudo acabou por 120 contos, sabe lá o que era isso naquele tempo? Mas aí
ficamos precisando de uma máquina de terraplanagem. Naquele tempo não tinha
isso, não era como hoje. Então eu, como presidente da Comissão do Estádio, fui
falar com o Fernando Costa, interventor do Governo Federal para o estado de São
Paulo. E era o PTB que mandava.
Cheguei para ele e perguntei como é que eu
arranjava uma máquina daquelas. E me arrumavam uma máquina para daí a 30 dias.
Mas a terraplanagem levou dois anos, dois anos, que loucura. Tinha que aterrar
tudo, e tirava terra do lado de lá a dinamite. Dinamite, que loucura, já viu
isso? Tirar terra a dinamite? Tinha terra de lá e de cá, tinha que aterrar senão
eu ficava sem campo para abrir. Mas a máquina só podia ficar 30 dias, e lá eu ia
para São Paulo de 30 em 30 dias pedir para o Governo mais 30 dias. Eu larguei
tudo, meus negócios, tudo, para fazer o estádio. Para chegar no fim e acontecer
aquilo. Eu tinha uma comissão do estádio. Comissão, você sabe como é? Quer
aparecer no jornal, dar entrevista na rádio. Eu nunca fui disso, tenho um
temperamento forte, eu xingo, eu falo o que é. Então eu falava para Comissão
pró- Estádio, tinha cinco ou seis, o que eu queria, como ia ser. Quando passaram
os dois anos de terraplanagem, eu fui ao Banco Noroeste.
Fui pedir 400 contos
para começar a obra. Em 1942 era muito, muito dinheiro. Foi aí que eu inventei
vender cadeira vitalícia, fui eu que inventei, vendia a 100 mil réis para chegar
aos mil contos. Mil contos, era uma enorme fortuna na época. Resolvi chegar para
comissão e dar duro neles, ninguém se mexia, aquilo estava me enchendo, e saí
com listas por aí. Dá 20 mil réis que vou construir o estádio. Quando arrumei o
dinheiro no Banco, cheguei e disse: – Tá aqui o título bancário, eu aceitei o
título como presidente da comissão. Sabe o que quer dizer endossado? Pois é, tá
aqui 90 mil. Eu devo. E você, fulano? E só vinha desculpa. Eles me diziam: é
Moisés, eu tenho sócio na firma, outro dizia: sou empregado e minha firma não
permite que eu endosse empréstimos, e finalmente outros diziam: minha mulher não
quer, você sabe, Moisés. É isso, então vai tudo a m....
Arrumei inimigos dentro
da Ponte, mas limpei tudo e continuamos com outros, e acabamos fazendo o
estádio. Lá no Guarani não tenho inimigos, sou muito homenageado lá, fico até
envergonhado, nunca fui nada do Guarani. Mas naquele tempo teve um diretor do
Guarani que se virou para mim e disse: – Moisés, quando nascer pêlo na minha mão
você vai terminar o estádio. E terminamos. Ele não acreditava, lá no estádio não
tem nenhum metro de madeira, é tudo cimento armado. Mas fiquei cego naquela
obra. Eu fiquei que era só Ponte Preta, fechei minhas lojas, fechei minha
fábrica. Eu vivia na obra, chegava às sete no meu Oldsmobille.
Quanto vocês
querem, eu perguntava para os fornecedores, 200 contos? Marca aí, faço qua- tro
duplicatas, eles pegavam as duplicatas e descontavam nos Bancos. Eu dizia para
minha mulher: olha eu morrendo. Eu vendia meus bens para pagar as dívidas da
Ponte Preta.“ O depoimento é muito forte; algumas cicatrizes, mesmo em 1975,
depois de muito tempo da construção do estádio, parecem difíceis de desaparecer.
Todo clube popular, principalmente um clube com profundas raízes na memória
coletiva da cidade de Campinas, gera vaidade, que, sem dúvida, é a pior inimiga
do trabalho em uma instituição. Mas gostaria de deixar aqui algumas palavras
que, garanto, são da própria torcida alvinegra: MAJESTOSO MOISÉS, OBRIGADO,
LUCARELLI.
A construção do estádio, as doações, as datas importantes, as
comissões, os beneméritos, todas estas informações estão no segundo volume da
História da Associação Atlética Ponte Preta, do amigo Sérgio Rossi. Nossa
intenção é justamente escrever sobre três momentos importantes da construção do
Majestoso que poucos conhecem ou muitos esqueceram. Iremos nos ater primeiro a
como a imprensa da capital paulista e do Brasil acompanhou a epopéia da
construção do Majestoso, na época um empreendimento grandioso, na verdade uma
gigantesca construção. Podemos dividir a imprensa da capital paulista em duas,
uma meio desconfiada do empreendimento, achando que não existiria prazo para o
final das obras, e, do outro lado, o jornal A Gazeta, que, como mantinha um
correspondente na cidade, o jornalista Ferdinando Panattonni, possuía
informações mais concretas sobre as obras.
Lançamento na grande imprensa paulistana da construção do Majestoso
Colocação da primeira nesga de grama do Majestoso
Lançamento na grande imprensa paulistana da construção do Majestoso Colocação da
primeira nesga de grama do Majestoso Em São Paulo, o estádio logo recebeu o
apelido de Pacaembu do interior – vale lembrar que o estádio da Ponte Preta
seria o maior estádio particular do estado de São Paulo.
Já a imprensa da
capital federal foi muito feliz na cobertura da construção – em 1944 aparecem as
primeiras matérias, com o empreendimento dos ponte-pretanos retratado com muito
realismo. Para os cariocas, a Associação Atlética Ponte Preta seria um exemplo
para o esporte nacional. Encontramos na pesquisa em jornais do Rio de Janeiro
sempre a mesma tendência de admiração, respeito e confiança no trabalho da nação
ponte- pretana, e, como a imprensa da capital federal era base para outros
jornais pelo país, a construção do estádio foi matéria de norte a sul do Brasil.
Um outro momento importante na arrecadação de fundos para as obras do Majestoso
foram, sem dúvida, os dias 21, 22 e 23 de julho de 1944. Naqueles dias a Ponte
Preta realizaria um incrível momento cultural no Teatro Municipal de Campinas,
11 aproveitando-se da Lei Municipal no 512, que cedia o teatro para se
realizarem festivais beneficentes.
A Veterana campineira, em 26 de junho de
1944, protocolou junto da Prefeitura Municipal de Campinas um pedido de cessão
do Teatro Municipal. Pedido aceito pela Diretoria de Expediente, a Ponte Preta
organiza e divulga suas festividades culturais.
Ofício sobre utilização do Teatro Municipal pela Ponte Preta
Ofício sobre utilização do
Teatro Municipal pela Ponte Preta O presidente da Ponte Preta, então o dr.
Francisco Ursaia, organiza o programa para os dias 21, 22 e 23 de julho de 1944,
que seria o seguinte: apresentação em três após das pe- ças Jangadeiro, texto
original de Raymundo de Menezes, e Amigo Tobias, original de João Luzo.
Elenco
de Jangadeiros: Baraúna Paulo Salles Iraússa Oswaldo Canechio (Badú) Rocinha
Zerita Vaz Raymundo João Vaz Das Dores Aparecida Fortes Benta América Fortes
Elenco de Amigo Tobias: Tobias Paulo Salles Maméde João Vaz Adelaide América
Martins Ciprianno Antônio Jarui Maria Branca Monteiro Clara Zerita Vaz João
Olavo Bilac As duas peças teatrais foram montadas com muito luxo e apurada
cenografia.
Durante os intervalos, as músicas estiveram a cargo de uma orquestra
sob regência do maestro Salvador Bove. A Ponte Preta contratou a companhia de
teatro Escola Paulo Salles e também estabeleceu convênio com o Serviço Nacional
de Teatro do Ministério da Educação. A iniciativa cultural da Associação
Atlética Ponte Preta acabou por merecer elogios do presidente Getúlio Vargas em
nota quando da assinatura do convênio entre Ponte Preta e Ministério da
Educação.
O programa continua, agora com música. Vejamos o que a Ponte Preta
escolheu: abertura da ópera Loshiavo, de Carlos Gomes, Marcha nupcial, de
Wagner, e a canção A casa brasileira onde nasci, de Lima Pesce. Foram três dias
magníficos para a Ponte Preta. Nestes mais de cem anos de futebol no país,
poucas vezes vimos iniciativas como esta. A Veterana sempre inovou, nunca gostou
da regularidade maçante; ela precisa respirar, inovar, fazer crescer, entrar em
contato com sua gente, desde o mais humilde até aquele erudito.
Essa facilidade
de se aproximar de todas as classes sociais fez da Ponte Preta um clube único no
interior do Brasil. Julho de 1944 ficará marcado como o mês em que a Ponte
Preta, em prol da construção de seu estádio, fez do Teatro Municipal de
Campinas, de saudosa memória para muitos, seu campo, seu palco. Da cultura
nasceu uma epopéia, a construção do Majestoso; teatro, ópera, música erudita e
música brasileira, parece até que o programa foi escolhido para espelhar nossa
torcida, com diversidade e, ao mesmo tempo, unicidade. Bravo, Veterana! Na
verdade, a ligação entre a Ponte Preta e o teatro faz parte da história da
associação – em várias oportunidades o salão nobre do Majestoso foi palco de
inúmeras peças. O terceiro e último momento que vamos descrever é, sem dúvida, o
mais sublime.
O trabalho gera riqueza, e o trabalho de milhares de mãos
ponte-pretanas gerou um templo, palco majestoso. Foram milhares de Josés, Joãos,
Moisés, Franciscos, Paulos, Pedros, brasileiros, campineiros, estrangeiros,
pontepretanos. Essa paixão nos remete a nossa mística a – torcida tem um time e,
pelo time, assina um pacto silencioso e não escrito, que é uniforme na
consciência e na memória coletiva da nação ponte-pretana. “Podemos ser
diferentes, mas somos todos um”, pensamos sempre com o coração; emoção,
fidelidade e fibra fazem parte de nossa mística. Que todo jogador que enverga
nosso símbolo maior sobre o coração e pisa no gramado sagrado construído pelo
nosso povo nunca se esqueça de nossa mística: “coração, fidelidade e fibra”.
Estes são nossos alimentos, nosso deleite é provar o gosto doce da vitória, é
bater com força em nosso coração; a construção do Estádio Moisés Lucarelli faz
parte de nossa mística, sempre Ponte Preta.
Informações(extraída do site oficial www.pontepretaesportes.com.br)
Capacidade:
19.722 torcedores
Área: 36.000 metros quadrados
Endereço: Pça. Dr. Francisco
Ursaia, 1900 Jd Proença - CEP:13026-350
Dimensões do Campo:107m x 70m
Maior
Público: 33.500 pessoas (Ponte Preta x Santos - 16/08/1970)
Maior goleada: Ponte
Preta 8 x 1 Ferroviária (16.04.1994)
Data de inauguração: 12/09/1948
Telefone/Fax:(19) 21017201
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DEMOCRACIAL RACIAL
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Segue abaixo o texto do documento enviado a FIFA solicitando reconhecimento da
PONTE PRETA como o primeiro time de futebol a aceitar jogadores negros.
Associação Atlética Ponte Preta : Primeira Democracia Racial em um Time de
Futebol no Mundo Historiador José Moraes dos Santos Neto Diretor Associação
Atlética Ponte Preta O futebol é uma das expressões culturais mais intensas do
planeta , possuí um caráter lúdico e dinâmico. Foi introduzido no Brasil durante
final do século XIX e tornou-se rapidamente a maior expressão cultural do país.
Estamos assistindo, um perigoso aumento nos casos de racismo dentro do futebol,
como pesquisador da história do futebol acompanho intensamente todo esforço e
movimentação da Fifa para eliminar o racismo dentro do esporte mais popular do
planeta.
Sou Bacharel em História pela Universidade Estadual de Campinas e
professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas , tenho mais de vinte
anos de ininterruptas pesquisas sobre o futebol e possuo um dos maiores arquivos
particulares sobre a história do futebol brasileiro, sul-americano e mundial. A
Conferência contra o racismo , realizada pela Fifa no ano 2001 em Buenos Aires,
aprovou importantes resoluções como : a origem do racismo esta na sociedade e
não no futebol, para eliminação do racismo dentro do esporte é preciso total
colaboração de dirigentes, torcedores, jogadores e estudiosos ,o planejamento a
longo prazo é determinante para o êxito da luta contra o racismo, a ignorância
somada a falta de conhecimento sobre a história do futebol alimentam o racismo.
O passado é uma raiz forte que precisa ser sempre cuidada para que a vida tenha
energia e força, portanto, para que as resoluções aprovadas em 2001 surtam um
efeito duradouro devemos sempre divulgar com muita intensidade informações e
experiências contra o racismo dentro da história do futebol, pois o futebol
atinge nações de todos os continentes.
Para o Presidente da Fifa Senhor Joseph
Sepp Blatter não basta apenas lutar contra o racismo, devemos executar ações de
cunho educativo e informativo, visando uma inserção positiva e duradoura na
sociedade. O espirito da Conferência de Buenos Aires foi perpetuado através de
uma resolução da Fifa reconhecendo o dia 7 de Julho, como o dia da luta contra o
racismo no futebol mundial. Tendo em vista cooperar com a Fifa e também resgatar
para a memória do futebol mundial um de seus mais significativos momentos,
estamos enviando este Dossiê sobre a primeira democracia racial em um time de
futebol no mundo, a história da fundação da Associação Atlética Ponte Preta de
Campinas, traduz um sentimento muito esperado pela família do futebol neste
momento, unir etnias diferentes em torno da magia do futebol, o esporte mais
popular do planeta. A Associação Atlética Ponte Preta foi fundada em 11 de
Agosto de 1900, no último ano do século XIX, naquele momento o mundo assistia a
divulgação de inúmeras Teorias Raciais que divulgavam a idéia de superioridade
branca.
O futebol foi introduzido oficialmente no Brasil em 1894 na cidade de
São Paulo e em 1899 o escocês naturalizado brasileiro Thomaz Scott introduz o
futebol em Campinas, distante cerca de 100 Km de São Paulo. A cidade de Campinas
entre os anos de 1850 até 1930 recebeu mais de trinta mil imigrantes europeus.
Em 1900 a cidade possuía uma população composta de alemães, austríacos, suíços,
espanhóis, portugueses, e brasileiros ( brancos, negros e mulatos).
O alemão
Theodor Kutter residia na cidade de Campinas desde 1898 e fixou residência no
Bairro da Ponte Preta, uma região da cidade em que brasileiros e imigrantes se
misturavam , Theodor Kutter era um adepto de esportes ao ar livre e defendia que
a prática esportiva formava jovens sadios e com muita responsabilidade. Em 1899
ele conheceu o engenheiro ferroviário Thomaz Scott que também fixou residência
no Bairro da Ponte Preta em Campinas , Scott trouxe da Escócia bolas de futebol
e iniciou a divulgação do esporte entre os meninos e jovens que residiam no
Bairro da Ponte Preta.
O futebol rapidamente tornou-se o esporte preferido dos
meninos e rapazes do bairro , que conseguiram o apoio das famílias e iniciaram a
construção de um campo de terra em uma Chácara pertencente ao Capitão João
Vieira da Silva , pai de três meninos e um rapaz que praticavam o futebol. Era
um momento importante para o alemão Theodor Kutter, o esporte conseguiu unir os
meninos e rapazes do bairro em torno de um objetivo comum , praticar e divulgar
o futebol.
Os meninos e rapazes jogadores de futebol eram brancos, negros e
mulatos. Entre os jovens tínhamos quatro negros e dois mulatos, mas um deles se
tornou jogador do primeiro time da Ponte Preta após sua fundação em 1900, seu
nome era Miguel do Carmo. Em 1900 esses rapazes resolveram fundar um time de
futebol, para tanto contaram com o apoio do alemão Theodor Kutter, do austríaco
Nicolau Burghi, do brasileiro descendente de alemães Hermenegildo Wadt e do
brasileiro Capitão João Vieira da Silva , o objetivo era fundar uma associação
sem preconceito de raça ou religião para praticar o futebol . Em 11 de agosto do
ano de 1900 é fundada a Associação Atlética Ponte Preta , seu primeiro time era
formado por brancos , negros e mulatos.
A associação nasceu com o objetivo de
formar cidadãos saudáveis e responsáveis , congregando jovens de todas as raças
em função da prática do futebol. Em 2006, prestes a completar 106 anos de
atividade ininterrupta, a Associação Atlética Ponte Preta simboliza a própria
história do futebol brasileiro. Posto isto, a Associação Atlética Ponte Preta
vem sugerir junto a FIFA o reconhecimento e a divulgação que ela é a Primeira
Democracia Racial em um Time Futebol no Mundo.
Isto posto , cabe reconhecer a
importância fundamental do Clube de Regatas Vasco da Gama para a afirmação do
negro no futebol brasileiro, em 1923 desafiando preconceitos e ódios raciais o
clube foi Campeão Carioca , o titulo ganho no Rio de Janeiro, capital do
Brasil, foi um marco na história dos negros no futebol brasileiro, alcançando na
época enorme repercussão nacional e internacional, mas a Associação Atlética
Ponte Preta foi a primeira democracia racial em um time de futebol no Brasil e
no Mundo.
A Associação Atlética Ponte Preta é o clube de futebol sem interrupção
mais antigo do Brasil, são 106 anos de atividade futebolística, além de ser um
dos clubes mais tradicionais do país pentacampeão do futebol mundial, a Ponte
Preta possui a maior torcida do interior do Brasil.
O clube disputa a primeira
série do Campeonato Brasileiro de Futebol e desde a Copa do Mundo de 1934 cede
jogadores para a seleção brasileira de futebol, seus atletas com mais
participação na seleção brasileira de futebol foram o goleiros Carlos com 69
jogos e três Copas do Mundo ( 1978, 1982 e 1986) e o zagueiro Oscar com 67 jogos
e duas Copas do Mundo ( 1978 e 1982) como titular absoluto da seleção brasileira
de futebol . No ano de 1974 , Pelé, o maior jogador de futebol da história do
futebol mundial, despediu-se do futebol em um jogo contra a Ponte Preta , o
atleta do século e o símbolo do futebol mundial escolheu o clube mais antigo e a
primeira democracia racial em um clube de futebol para despedir-se dos gramados
brasileiros.
A Ponte Preta possui considerável patrimônio , em especial o
Estádio Moisés Lucarelli, dois clubes poliesportivos e um Centro de Treinamento
para o Departamento de Futebol. O clube localiza-se na cidade de Campinas, poló
de uma região metropolitana com uma população de 2,5 milhões de habitantes, a
cidade concentra importantes empresas de alta tecnologia e inúmeras
universidades.
A Associação Atlética Ponte Preta tem orgulho em nascer em 1900
como uma Democracia Racial, é este exemplo que desejamos divulgar através da
Fifa para a família do futebol.
Time da MACACA entre 1908 e 1914.jpg
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Miguel do Carmo (foto a esquerda retirada da Carteira
Funcional da Companhia Paulista ), nascido em 10 de abril de 1885, funcionário
da Companhia Paulista de Estradas de Ferro entre 1898 até 1925, registro 6.551,
aposentado como guarda de trem , terceira classe.
Foi jogador do primeiro time da Associação Atlética Ponte Preta em 1900.
Primeiro Time da Ponte Preta : Lima, Silvio, Oliveira, Aranha, Rodolpho
Hartmann, Carlos Vieira, Fogaça, Ricardo Hartmann e Miguel. Segundo Time da
Ponte Preta : Young, Dicto, Osvaldinho, Augusto Vieira, J.Scott, Burghi,
A.Scott, Tonico, Walter, Largon, Tilimann.
O primeiro time da Ponte Preta congregava jogadores que residiam no Bairro da
Ponte Preta , região marcada pela presença de operários, ferroviários, mascates
e imigrantes. Os jogadores formavam uma autêntica “ democracia racial “ , era
imigrantes alemães, austríacos, portugueses , ferroviários brancos, mulatos e
negros.
O patrono destes jovens era o alemão Theodor Kutter adepto do movimento
anarquista na Europa, que trouxe para o Bairro da Ponte Preta a idéia de
congregar jovens através do esporte. Junto com Kutter, o escocês Thomas Scott ,
o Capitão João Vieira da Silva e Nicolau Burghi foram os patronos dos meninos e
jovens futebolistas do bairro da Ponte Preta em 1900. |
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HINO
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Estamos em 1969 e durante a gestão do presidente Sérgio José Abdalla levantamos
o titulo de campeões da primeira divisão de São Paulo e ganhamos o direito de
disputar em 1970 a divisão especial do futebol paulista, o elenco era oriundo
das categorias de base do clube, a média de idade era de 22 anos e dos 25
atletas, apenas três não foram formados no clube.
Em 1970 o time retornou a divisão especial e tornou-se uma sensação em todo
estado, tornando-se campeão do primeiro turno, foram anos de grande recuperação
do prestigio futebolístico e para comemorar o sucesso em 1971 temos a
organização pela diretoria da Ponte Preta de um grande concurso para a escolha
de um hino oficial.
Foram fixados diversos cartazes, como o abaixo, pela cidade, as inscrições foram
realizadas no Departamento de Imprensa do clube no estádio Moisés Lucarelli.
No dia 3 de setembro de 1971 no Teatro Castro Mendes foi realizado o grande
concurso, a apresentação ficou a cargo da jornalista Bety Rodrigues, foram sete
músicas finalistas, a que mais agradou a platéia que lotava o teatro foi a
música “ Avante Ponte Preta“, de autoria da Professora Maria Aparecida Mota
Aguiar e interpretada pelo cantor José Américo, enfim, a música foi escolhida
como hino oficial.
Hino Oficial Velho
Autora: Maria Aparecida Motta de Aguiar
Avante, Ponte Preta, avante!
Avante, que a bola é nossa!
Avante, Ponte Preta,
avante;
Que nós queremos a vitória!
O jogador pontepretano;
é forte, brioso e
valente.
Reflete no seu porte altaneiro;
A fibra do bom campineiro!
O teu
passado foi de glória!
Teu nome está na nossa história!
Avante, Ponte Preta!
Avante, Ponte Preta!
Que nós queremos mais uma vitória!
Logo após vencer o
concurso , surge uma grande polêmica envolvendo a letra da música, levantou-se a
possibilidade que boa parte da letra era uma cópia de uma música de Nélson
Gonçalves, a polêmica ganhou enorme repercussão quando o cantor Jair Rodrigues
recusou-se a gravar a música após as denúncias de plágio.
O hino envolvido em
fortes e intensas polêmicas acabou não tornando-se popular e aos poucos uma
música composta pelo compositor e jornalista Renato Silva foi tornando-se
popular, a música “ Raça de Campeã” foi composta para a Torcida Jovem da macaca
e em 1977 acabou conquistando o gosto da massa pontepretana e em 1979 tornou-se
o hino oficial do clube.
Hino Oficial Atual Autor: Renato Silva
Estandarte
desfraldado
preto e branco é sua cor
Ponte Preta vai pro campo
prá mostrar o seu
valor
Ponte Preta inflamante
Ponte Preta emoção
Ponte Preta gigante
raça de
campeão
Seu estádio é o Majestoso
seu nome uma glória
Ponte Preta sempre sempre
na derrota ou na vitória
És amada Ponte Preta
Orgulho de nossa terra
Ponte Preta
de paz
Ponte Preta de guerra
Ponte Preta de paz
Ponte Preta de guerra.
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Próximo jogo
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X
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PONTE PRETA
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Ituano
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Local:Estádio Moisés Lucarelli, o Majestoso
Data: 22/02/2012 às 19:30
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